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Sexta-feira, 18 de junho

Áureos momentos dos Staphylococcus ou Colapso mental de uma doutoranda em prantos
Ou ainda
Tristes conseqüências da insana odisséia pelo caminho das purinas e pirimidinas

Ainda que eu falasse a língua desses homens
E compreendesse todo o mistério do mais misterioso dos seres
Sem o desafio, de que valeria?
Imersa nessas solucões caotrópicas
E nesses riscos fluorescentes que só eu entendo
Ainda que eu falasse a língua desses homens,
Eu nada compreenderia mesmo assim.

Mesmo que eu pudesse falar com Deus
E pedisse o meu pedido mais oculto, que não se pede:
“ Se conforma, minha filha, eu não posso fazer milagres”.

- Não… Não tente entender o texto acima. Ele não faz parte desse blog -


(voltando…)

A Ameba chega no laboratório, visivelmente desgastada. O assistente a olha, mas não pronuncia nehuma palavra. E no pseudo-silêncio do laboratório, interrompido apenas pelo barulho das centrífugas, a Ameba lentamente sobe as escadas, quase se arrastando…abatida…

O assistente pensa em segui-la, para ver o que está acontencendo. Mas desiste, pois acha melhor deixar a Ameba sozinha. Afinal, Ela não chegou gritando, ela não o chamou de “guri”, ela não perguntou pela novela…

Horas passam…

O assistente decide então ver o que se passa. Vai em direcão aos aposentos da Ameba, abre a porta, e lá está ela… seus pseudópodos levemente retomam a forma humana, e o seu rosto desforme assume as feicões da Doutora. A então recém-recomposta Doutora olha sobre sua mesa, vê o bilhete do inspetor para ela, e ri… mas um riso cansado. Irônico, mas cansado.
- Doutora?!
A Doutora olha para o assistente, senta-se em frente à TV e vai assistir a novela.
- Doutora?!
Nenhuma resposta.
- Doutora?!
A novela comeca.
- Doutora?!
- Atingi a perfeicão. Meu traje humanóide não é mais necessário. O mundo não será o bastante para mim! Agora fique quieto, guri, e assista a novela comigo.



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Terca-feira, 15 de junho.

Final de tarde.
Chuva. frio. Silêncio.
O assistente terminava seu trabalho para ir embora. Ao pegar suas coisas, depara-se com um bilhete em sua mesa:



"Droga!" - pensa o assistente - "Que visitas são essas?!? Espero que ninguém A veja".
Ao passar pelo hall do laboratório, para subir as escadas e ir em direcão aos aposentos da Ameba, o assistente vê um bilhete, enderecado à Doutora, que foi colocado por debaixo da porta. Ele não pôde conter a curiosidade... Abriu o bilhete, e uma risada pôde ser ouvida no silencioso laboratório:



"Oooops!... Esqueci de dizer à Doutora que ele ligou algumas vezes..." - pensa ironicamente o assistente, subindo então as escadas na árdua tarefa de programar o vídeo para gravar a novela da Ameba.


Registrado no diário da Doutora às 16h00
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